Estava eu assistindo o programa do Jô Soares um dia desses. A entrevistada era a cantora Ana Carolina. A surpresa ocorreu quando ela disse que sua mãe queria abortá-la, e, graças a uma tia, a qual convenceu a mãe a não cometer tal ato, a cantora nasceu. Nesse momento, meu coração apertou, pois imaginei os inúmeros bebês que não nasceram em virtude de abortos cometidos por suas mães. Tais crianças, assim como Ana Carolina, poderiam ser cantores maravilhosos, artistas, engenheiros, médicos, arquitetos, cientistas, publicitários, descobridores de curas, e até mesmo o escolhido de Deus para formar uma família feliz juntamente com seu (sua) esposo/esposa. Situação bastante triste aos olhos da Santíssima Trindade.

O Ministro da Saúde afirma que o aborto é questão de saúde pública no Brasil, motivo pelo qual deveria ser legalizado. O mesmo chegou a afirmar que deveria também ser permitido o aborto, evitando-se o nascimento de criminosos, já que a comunidade carente não tem condições de criar filhos.

Contudo, tenho outra visão, e bastante simples por sinal: economia de dinheiro público. Isso mesmo. Não é questão de saúde pública, mas sim porque é muito mais barato para o governo promover o aborto do que ter de tratar da saúde das mulheres grávidas, e manter a saúde, educação, moradia, etc para esse futuro adulto, que irá acrescentar inúmeras despesas ao Estado. Perceba: o governo, ao invés de conscientizar a população e promover políticas públicas sobre os males do aborto, prefere legalizar o aborto, o qual é infinitamente mais barato. Também não aceito o argumento de que muitas mães estão fazendo aborto em clínicas clandestinas, o que prejudica as mesmas, pois a legalização não irá dizimar a clandestinidade. Pode até diminuir, mas não acho isso um argumento plausível. O problema, na verdade, é a ausência de educação sexual, principalmente nas comunidades mais carentes.

Além disso, acho absurdo o julgamento prévio que é feito aos filhos de mães de comunidades pobres. Quer dizer que, automaticamente, a criança será criminosa? Isso é argumento? A criança nem nasceu é já é taxada? Lógico que não. Temos inúmeros exemplos na sociedade brasileira de que pobreza não é sinal de criminalidade. Logo, esse argumento é, no mínimo, bizarro. Fere todos os preceitos constitucionais fundamentais.

Por tais razões, devemos lutar pela conscientização das pessoas quanto aos males do aborto e promover a educação sexual de todos, e não seguir pelo caminho simplista e errado que o governo pretende adotar. Não podemos aceitar o fato defendido pelo governo. A vida humana, em todos os seus aspectos, vale infinitamente mais que o dinheiro estatal.